RELATÓRIO DO DIA 04/09/10 – MFA
1ª Sessão (30/09/1974)
Tratamos da instauração do 3º governo provisório em Portugal, após a renúncia do general Antônio Spínola, que por sinal, desvalorizou o MFA dentro de seu discurso, dizendo que não estavam sendo estabelecidos no país a paz, o progresso e bem estar do povo, princípios tão idealizados no 25 de abril. O novo presidente estabelecido foi o general Costa Gomes. Ele não possui um partido, mas representa uma pluralidade sem enveredamentos ideológicos. Ele se comprometeu no governo provisório promover uma dissolução do governo português nesse momentos de reformas.
Outras propostas dessa sessão foram estabelecer uma “Magna carta” do MFA que seria formulada através de uma assembléia constituinte. Também foram retirados alguns membros da Junta de Salvação Nacional e da Composição do Governo provisório. Com isso, houve uma substituição, se integrando a junta nacional os capitães Otelo Saraiva de Carvalho e General Ramalho Eanes.
2ª Sessão (25/11/1974)
No sul começam a surgir problemas latifundiários, com movimento de reivindicação de terras. O embaixador dos EUA quer uma reunião com representantes de MFA para tratar de assuntos como uma possível aliança de Portugal com a OTAN (proposta que durante nossa sessão reprovamos, já que muitos pretendem instaurar uma economia mais socialista no país. O outro tema tratado foi a libertação de Angola que será mais aprofundado em nossa próxima sessão, onde membros do MFA se reunião com líderes do MPLA, FNLA e UNITA.
Os que não participaram da reunião com o embaixador Carlucci ficaram discutindo o assunto sobre a situação do sul de Portugal. A medida tomada foi a reforma agrária em todo o território Português, não só o sul, tendo em vista o que viria a acontecer com o retorno de portugueses que estavam nas colônias para Portugal, devido a descolonização das terras ultramarinas. Os grandes latifundiários cederiam parte proporcional de suas terras aos “sem terra” e seriam compensados através da redução de impostos, redução de juros em empréstimos, etc.
Na reunião com Carlucci, os EUA revelaram que estavam dispostos a nos apoiar na questão de angola e Portugal pretende estreitar futuros laços com a OTAN, sem perder sua visão comunista para a reestruturação do governo.
Surgiram algumas proposta de coletivização das terras, tendo como exemplo a aplicação desta em Israel e na Iugoslávia.
No final da reunião, um ministro que defendia a classe burguesa chegou, nos advertindo a ter cuidado com nossa proposta de reforma agrária, já que traria revolta aos latifundiários portugueses, e disse para termos cuidado com que classe apoiaríamos.
3ª Sessão (15/01/1975)
A reforma agrária realmente gerou revoltas, principalmente na região do norte (com mais população e indústrias). As fábricas entraram em greve, onde os trabalhadores reivindicavam baixos salários, diminuição da carga de trabalho e desapropriação de empresas. Grupos católicos e De clubes sociais. A reforma em Angola está em curso e movimento de diferentes ideologias. Haverá uma reunião em Angola de alguns representantes do MFA e representantes do MPLA, UNITA e FNLA para definir questões da libertação de Angola. Enquanto isso, nós outros delegados pensávamos em questões sobre a reforma agrária.
Permanecemos com a ideia de que a reforma deveria ocorrer em todo o território nacional, delimitando a área dos latifúndios e redistribuindo as terras. Propomos também a criação de leis trabalhistas para o norte. Tivemos a ilustre presença do Sr. Álvaro Cunhal, dizendo que fazíamos muito bem com a instauração da nacionalização das empresas, que representava uma gestão da produção operária.



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